quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Módulo Rádio

Possibilidades radiofônicas


Em seu texto, Magda Cunha apresenta uma clara definição para o rádio: meio de comunicação sonoro, invisível e em tempo real. Este conceito diz muito mais respeito a um modo de transmissão de informações, do que a plataforma em que se realiza ou a forma do seu conteúdo. Dito isso, é possível imaginar o rádio existindo para além do aparelhinho a pilhas. Fala-se no risco de morte das mídias tradicionais, principalmente os impressos e o rádio, e na urgência de reinvenção, como último pedido de clemência. As colocações nesse sentido são pertinentes, mas talvez seja cedo para atestar o óbito.


O rádio digital representa uma opção de reinvenção. Alia qualidade de som com a ampliação na transmissão de dados para os receptores. Se explorado seu potencial, o rádio digital pode oportunizar maior interatividade, participação de atores mais diversificados, segmentação e especialização da programação, incremento de qualidade. Por sua vez, as novas plataformas de transmissão e recepção possibilitam renovar a relação do ouvinte com o meio, atualizando-o diante dos costumes da era digital. Enfim, o rádio não deixa de o ser (sonoro, invisível, imediato); acrescenta mecanismos de comunicação a seu modo peculiar.


A previsão de manutenção do rádio entre as mídias viventes pode ser alcançada sob outra perspectiva de observação. O setor de radiodifusores, no Brasil, tem-se mostrado conservador no aproveitamento das tecnologias. No caso da transmissão digital, a preferência tem sido pelo sistema norte-americano, que permite a manutenção da estrutura existente, sem investimentos de peso, nem mudanças de freqüência. Não existe preocupação em renovar a programação e os conteúdos oferecidos. O foco é centrado na qualidade de som e na possibilidade das grandes empresas destacarem-se ainda mais. O interesse está em manter o status e evitar um excessivo acesso a produção e seleção de conteúdo. Experiências mais ousadas já podem ser vistas em partes do globo, como no Reino Unido, onde o rádio digital foi introduzido com sucesso mediante novo conteúdo e barateamento dos aparelhos receptores. Pode ser um exemplo a ser seguido no Brasil, onde a relação do ouvinte com o rádio tem muito o que render.

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