A sobrevivência do rádio
Assim como as demais “mídias tradicionais”, o rádio atualmente enfrenta a crise determinada pela era digital. A radiodifusão, no entanto, sobreviveu a outras crises e ainda se mantém como fundamental meio de informação. Adaptações foram necessárias, para acompanhar as transformações históricas. No Brasil, pode-se identificar cinco fases na trajetória do rádio, confundindo com a própria trajetória da sociedade brasileira.
A fase inicial diz respeito ao surgimento e a implementação do meio no país. Entre as décadas de 1920 e 1930, foi o período das “rádio sociedades”, mantidas por associações de elite. Ou seja, eram rádios produzidas e voltadas a grupos muito restritos, não contemplando publicidade. O meio popularizou-se a partir de meados dos anos 30, quando iniciou a chamada “Era do Rádio”. Programas de auditório, musicais, radionovelas e radioteatro figuravam entre as principais diversões das famílias brasileiras. O transistor, criado em 1948, possibilitou a miniaturização dos aparelhos receptores, ampliando o alcance das mensagens radiofônicas.
O advento da televisão inaugurou a terceira fase do rádio no Brasil, da metade da década de 1950 até o final da década seguinte. O rádio teve sua morte decretada, pois, teoricamente, não conseguiria fazer frente ao universo de imagens propiciado pela tevê. As emissoras tiveram dificuldade em manter suas equipes e reduziram as programações. Contudo, surgiu uma opção, que acabaria consolidando-se: o radiojornalismo. A fase seguinte, entre os anos 70 e 80, viu a consolidação do jornalismo, calcado na prestação de serviços e no contato com o público. Construiu-se um novo espaço para o rádio, lançando mão de sua característica ágil, direta e popular. Neste período, também, observamos o desenvolvimento das FMs, centradas na programação musical e jovem.
Hoje, vivemos a quinta fase do rádio, ainda impossível de determinar os contornos que tomará. Temos o avanço da informática e das tecnologias, a realidade da Internet e o surgimento das rádios digitais; elementos que geram impacto sobre o rádio convencional e novas adaptações por vir. Mais uma vez, questionamos sobre a sua sobrevivência. Algumas características asseguram uma adesão significativa ao meio: a linguagem oral (pela praticidade), a transmissão quase imediata dos fatos, possibilidade de mobilidade e a acessibilidade. Houve perda de público em comparação, principalmente, a televisão e os rendimentos são baixos na radiodifusão. Uma combinação de prós e contras, que durará enquanto durar o rádio.

Nenhum comentário:
Postar um comentário