O que fazer da comunicação digital?
A revolução tecnológica, intensificada há pouco mais de uma década pela Internet e que promete ainda inúmeros desdobramentos, é hoje um dos principais eixos de discussão no campo da Comunicação. Estão em jogo, mais do que a mudança de plataformas e novas formas de expressão, a intervenção, o caráter e a legitimidade dos profissionais comunicadores no contexto digital. Falta preparo técnico e experiência para explorar as possibilidades da estrutura digital. A relação entre os conteúdos e os indivíduos está em processo de mutação drástica, visto que os papéis de produtor-público ou emissor-receptor não são mais claramente definidos e distintos.
O trabalho do jornalista tem a sua disposição um amplo aparato de tecnologia, que nem sempre é bem utilizado por ele. Progressivamente, as gerações têm mais familiaridade com essa realidade. A web é um fenômeno cada vez mais democrático. Contudo, muitas pessoas ainda sofrem no manuseio do computador e de outros equipamentos modernos. Encontramo-nos em uma fase de aprendizado constante das possibilidades que temos a nosso alcance, principalmente porque essas possibilidades não param de crescer. O desconhecimento técnico dos profissionais reflete no mau uso ou na utilização limitada dos novos instrumentos de comunicação. Os profissionais em formação acenam com alguma esperança: são indivíduos, em sua maioria, que cresceram na era digital. É necessário, de qualquer forma, conhecer e explorar. Não é possível fazer o mesmo jornalismo, nem nas plataformas tradicionais, nem na digital. Para realizar as inovações, é urgente a educação nas ferramentas.
Por não saberem trabalhar com as tecnologias ou por não terem a noção exata das suas oportunidades, os jornalistas temem, em especial, a Internet. A ampliação da interatividade (expressão que virou clichê) a perder de vista, na medida em que todos produzem conteúdo, seria uma ameaça à atividade jornalística, segundo a classe. Grita-se a todo pulmão que é necessário marcar posição e diferenciar O Jornalismo do puro exercício-da-liberdade-de-expressão. Alguns jornalistas esperam que alguém/alguma coisa faça isso por eles, ao que parece. Mas o espaço está escancarado para a atuação dos profissionais. A Internet e todo universo das tecnologias recentes trouxe praticidade, agilidade e um campo imenso de diversificação e aperfeiçoamento da prática jornalística. Nós, comunicadores, estamos diante de um caminho que está em processo de abertura. Cabe a nós trilharmos novas trajetórias e propormos “modos de fazer” para o jornalismo, em novas relações com nossos instrumentos, nossas mensagens e nossos públicos.

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