A Procura da Mística
O jornal impresso é a expressão mais clássica da atividade jornalística. A imagem da redação povoa o imaginário com uma aura quase sacralizada. O exercício detetivesco da reportagem e a prática virtuosa da escrita assumem, frequentemente, caráter de sacerdócio. A rotina de leitura matinal do periódico, para muitos, significa um ritual essencial.
A mística construída em torno do jornalismo impresso não o isentou da crise (alguns preferem o termo ''revolução'') imposta pela Internet. A comunicação digital provocou a necessidade de adaptação das antigas mídias e ameaçam a própria existência de algumas delas. Esse é o caso do impresso, que tem sua morte anunciada com frequência. A tecnologia, contudo, oferece alternativas e propõe uma nova relação com o veículo.
A imprensa escrita comporta uma estrutura complexa de profissionais e rotinas de produção. O trabalho nunca para e é sempre pressionado pelo tempo. Se a agilidade é fundamento, o aprofundamento é característica. O texto de jornal espera-se mais completo e com alguma densidade. O seu público busca informações amplas, mas também a experiência prazerosa da leitura. Logo, o produto deve oferecer forma e conteúdo. Para alcançar o resultado, um texto de qualidade e a tempo de informar a novidade, alto custo e atividade exaustiva.
Questiona-se a validade e a possibilidade de manter essa estrutura, diante da realidade dos meios digitais. As determinantes econômica e prática já desviam um público significativo para tais meios. Como salvar o gérmen do jornalismo no contexto atual? O lançamento e aperfeiçoamento do papel digital pode ser um caminho de renovação para o suporte. Oportuniza uma plataforma eficiente, ampla e ágil para o conteúdo que hoje ainda vive nas páginas. Outra via de reflexão é a proposta e a forma do conteúdo dos jornais impressos. Em disputa com a rapidez e a objetividade das notícias presentes na Internet, o periódico diário poderia voltar-se para a análise dos fatos, explorando as colunas de opinião e grandes reportagens, ao invés do foco na notícia. Dessa forma, sugere-se uma via de "não-agressão" entre o meio tradicional e as inovações técnicas, definindo espaços específicos.
O que há de certo é que o jornalismo não permanecerá como o conhecemos; as mutações estão em pleno processo, rapidamente. Uma nova mística, inevitavelmente, será construída.

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